quinta-feira, 26 de fevereiro de 2009

O Surdo, o surdo, o som da serpentina, o trocador, a troca de existência

O surdo toca compassado. Lembro do carnaval passado, que foi lindo.
O som da serpentina é surdo no bloco. O som do confete também. As ruas são tomadas de outra maneira, não mais a pressa usual do diaadiaadia. O tempo é mais lento, as passadas são curtas, leves e cadenciadas. O calor dos humanos é mais humano. Até aquela passada de mão do trocador que acontece quando pagamos em moeda é mais demorada. Passei na mesma rua, vazia depois do bloco e estranhei o silêncio. Deu pra ouvir o som do confete e da serpentina, ora no ar, majestoso, saliente, ora na terra, onde encontra o descanso do dever cumprido. Pra onde vai tanto colorido, tanto confete, tanta serpentina? Prefiro achar que vai pro infinito pra repousar, energizar-se, encarnando-se outra vez em papel matéria, um ano depois.

segunda-feira, 9 de fevereiro de 2009

Ceará , only the good die young

Ceará, me querido, o mundo não era pra você.
Você era bom demais para ele.
Você tinha uma mente que operava em uma freqüência inexistente.
Você era um gênio na acepção da palavra, ou seja, não se adequava à essa vidinha mediocre do dia a dia.
Tudo era um saco pra você.
Você era alegre, generoso, positivo, inteligente, prestativo.
Você não ia durar muito tempo mesmo, cause only the good die young.
Você aprendeu inglês em 4 meses.
Você era um gênio da guitarra.
Você foi pros EUA, living la vida loka way of life.
Você dançava pra caralho.
Viveu intensamente os poucos 30 anos de sua existência.
Vivia na espontaneidade, não tinha preconceitos nem pequenesas.



Que Deus (ou seja lá o que) guarde e proteja alma tão fina.

segunda-feira, 2 de fevereiro de 2009

Ensaio sobre o SIMnismo

O cinismo me invade a alma. Já não sinto mais nada. Vejo o mendigo, o menino de rua deitado no chão, e ai? Finjo que não vejo, não faço nada. Sabe por que? Porque sou egoísta. Ninguém assume isso, da mesma maneira que ninguém assume que já traiu alguém. Você já traiu alguém que você ama? Ora, as favas com a hipocrisia , essa meia irmã do cinismo, ignorada mas existe. E ela grita, à noite, quando você vai dormir. Não grita mais? Entendo, que bom, conquistou a paz. Você diz pro mendigo que tá sem dinheiro? Mentira. Ele está deitado no chão. Você também. Você só não afunda porque o concreto não permite. É pra isso que ele existe, para tirar seu contato direto com a terra nua. Você tem muita roupa, até demais. Já pensou em desnudar-se? Sente frio né? Os pés esfolam, se cortam. Cortou todos os elos? Muito bem, parabéns! Fluirás bem na sociedade, ela não permite tais caprichos. SIMnismo! Que venha a desfasatez. Desfaz os vínculos e reza pra subir, não se preocupa em descer que o concreto segura. Que o abstrato morra na cruz.