segunda-feira, 2 de fevereiro de 2009

Ensaio sobre o SIMnismo

O cinismo me invade a alma. Já não sinto mais nada. Vejo o mendigo, o menino de rua deitado no chão, e ai? Finjo que não vejo, não faço nada. Sabe por que? Porque sou egoísta. Ninguém assume isso, da mesma maneira que ninguém assume que já traiu alguém. Você já traiu alguém que você ama? Ora, as favas com a hipocrisia , essa meia irmã do cinismo, ignorada mas existe. E ela grita, à noite, quando você vai dormir. Não grita mais? Entendo, que bom, conquistou a paz. Você diz pro mendigo que tá sem dinheiro? Mentira. Ele está deitado no chão. Você também. Você só não afunda porque o concreto não permite. É pra isso que ele existe, para tirar seu contato direto com a terra nua. Você tem muita roupa, até demais. Já pensou em desnudar-se? Sente frio né? Os pés esfolam, se cortam. Cortou todos os elos? Muito bem, parabéns! Fluirás bem na sociedade, ela não permite tais caprichos. SIMnismo! Que venha a desfasatez. Desfaz os vínculos e reza pra subir, não se preocupa em descer que o concreto segura. Que o abstrato morra na cruz.

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